sábado, 5 de março de 2016

Lugar de mulher é na cozinha



Lugar de mulher é na cozinha.
 PDF 588


No mês da mulher, cabe lembrar e relembrar uma ideia, que alguns chamam de grosseira ou machista. Lugar de mulher é na cozinha. O ambiente onde deve imperar o asseio, a organização e a limpeza, um ambiente arrumado, organizado e higienizado. A cozinha é o local mais equipado de uma casa, o local ideal para uma mulher ficar horas durante o dia. A opção e o local de demostrar seus dotes e seus conhecimentos: mulher, mãe e esposa; dona de casa e enfermeira.

Em uma cozinha podemos encontrar desde os tempos antigos, fogões e panelas. As cozinhas evoluíram e ganharam uma pia com agua encanada, algumas até aquecidas, possibilitando lavar as panelas, que antes podiam ser lavadas em um tanque do lado de fora. Ainda que se usasse uma alavanca ou uma manivela, para a agua chegar em um tanque ou uma pia. Nas cozinhas rusticas ou improvisadas, antigas ou humildes, ainda se lavam os utensílios em improvisadas bacias.

Inicialmente as cozinhas não tinham portas ou janelas, não tinham teto ou parede. Era com uma fogueira cercada e protegida por algumas pedras e com algumas panelas, que as comidas eram preparadas dentro de uma caverna ou em um campo aberto, protegido do vento. Cozinhando caças e coisas catadas. Caçadores com armas e apetrechos.

O ato de cozinhar criou a cozinha, primeiro com chá, café e chocolate. Comidas com condimentos: cúrcuma, colorau e cominho. Com copos, canecas, cuias, colheres e chaleiras; com carvão e cinzas, criou-se a cozinha. Um cárcere, uma cadeia, a partir de uma caverna, um condicionamento. A mulher que não saía da caverna para caçar ou catar alimentos, restou-lhe a cozinha, para preparar os alimentos que outros iam buscar. E assim criou-se uma casa e um lar.

Com a construção das casas, um espaço foi reservado para ser a cozinha, ganhando tetos e paredes. E um espaço na cozinha, denominou-se como a dispensa, antes de existirem os armários. Peças de carne ou salgados, foram pendurados acima do fogão, criando os alpendres com os defumados. Alimentos frescos ficaram junto aos potes onde era armazenada a agua.

Hoje podemos encontrar em uma cozinha a evolução da fogueira, que passou a ser o fogão a lenha, depois a carvão. Usou-se também o querosene. Hoje em uma cozinha encontramos o forno e fogão a gás, O micro-ondas e o forno elétrico. Algumas cozinhas ainda podem preservar o forno e o fogão a lenha, como espaço bucólico de arte e lazer. O espaço gourmet ficou do lado de fora. Surgem agora as panelas elétricas, que podem ir direto para a mesa. A cozinha sobre a mesa na sala de jantar. Cada um pode preparar seu próprio alimento com chapas elétricas. A lembrança da fondue, que surgiu no meio rural com diversas sobras de queijos e lascas de pão e o povo em volta da mesa, lembrando as antigas fogueiras.

Além da dispensa e dos armários para guardar os alimentos ainda não preparados, surgiram o freezer e a geladeira. E alimentos prontos também puderam ser estocados. E na cozinha podemos encontrar, alimentos estocados, alimentos prontos, quase prontos e preparados, alimentos secos, em conservas ou in natura. Alimentos para serem preparados e alimentos prontos para serem consumidos. Um local ideal, sem precisar caçar ou pescar, tudo ali está armazenado. A caça e a pesca, bem como a coleta de grãos, frutos e sementes, agora é no supermercado. Basta tem uma arma ou um instrumento na bolsa ou na carteira, em espécie ou de plástico.

Com o aumento dos utensílios, pratos, talheres e panelas. Chegaram as baterias, as pratarias e as baixelas. Aparelhos de chá e de jantar. Conjuntos para lanches e pizzas. Conjuntos de taças e copos diversos. Aumentando o volume de louças e equipamentos para sujar e lavar, surgiu a máquina de lavar louças e outros apetrechos. Sabões, detergentes, esponjas e esfregões sempre estiveram perto e à mão. Normalmente junto a pia, e até um par de pias.

Em uma cozinha podemos encontrar uma diversidade de líquidos. Desde a agua em cabaça ou moringa. De poço, de açude ou de cacimba; encanada de rua ou mineral. Envasadas em potes plásticos ou em garrafas e garrafões. Natural ou gasosa. Agua em filtro de barro e filtros que gelam a agua. Purificadores e ozonizadores. Com temperaturas diversas desde ao natural, passando pela fresca e chegando a gelada e congelada. Panelas e chaleiras em ebulição liberam agua em estado gasoso. Na cozinha encontramos a água nos três estados da matéria: sólido, liquido e gasoso. E as suas transformações: evaporação, condensação e sublimação. Encontramos também líquidos aditivados e com sabores, no modelo de sucos e refrescos; cervejas ou refrigerantes. PET, one way ou retornável; reciclável e descartável. A cozinha como um oásis. Com direito a visagens e alucinações.

A cozinha já foi a entrada da casa, perdeu status e foi para os fundos. Sendo a entrada era possível ver e avistar quem chegava. Indo para os fundos perdia o contato com a rua. Com a evolução da tecnologia a cozinha começou a ter contato com o mundo, restabelecendo o elo perdido. Primeiro foi a campainha, avisando que alguém está na porta, que evoluiu para o interfone, alguns com câmeras, identificando visualmente a visita. A evolução da janelinha da porta e do olho mágico, usado por muito tempo na sala, a entrada principal. O telefone tem identificador de chamada, um conjunto de olho magico e janelinha, antes de atender a chamada ou o toque da companhia.

Com uma mesa e uma cadeira na cozinha é possível comer, escrever, sentar e descansar, e até tirar um cochilo. Assistir TV e zapear. A mesa e a cadeira não só facilitam os afazeres de uma cozinha, como também permitem realizar outras tarefas que não fazem parte das tarefas de uma cozinha. Como escrever cartas e fazer o dever de casa marcados pelo colégio ou faculdade. Vigiar os filhos nas tarefas escolares. Ler um livro ou uma revista. Com um notebook é possível ler e enviar e-mails. Dar uma volta pela internet enquanto a agua não ferve. O apito da chaleira, e o som da panela de pressão, ou o relógio do fogão, dá um sinal, que é preciso desconectar, ficar em stand by, ou oculto na rede. E os olhos se viram para o relógio na parede.

Um local para o rádio foi adicionado, espaço para o AM e o FM. Alguns com toca-fitas, chegando ao tocador de CDs. E chegou a televisão, saindo da sala, também querendo um espaço na cozinha, antes eram pequenas, agora em pequenas paredes encontramos as de LED ou LCD, marcando seu espaço na cozinha. O quadro de força e luz, costuma ser no local ou bem perto, facilitando alguma emergência. O estojo de remédios ou pronto socorro também está perto. Já existem inclusive os extintores domésticos. Saída de serviço, com acesso as escadas e elevadores. A mulher como dona da casa e rainha do lar foi montando e equipando o seu espaço. Um local estratégico, lembranças dos tempos de bruxas. A possibilidade dos usos dos caldeirões, com vista para floresta, de onde vinham os ingredientes e seus clientes. A casa é controlada a partir da cozinha.

A cozinha atual se transformou em espaço multifuncional, com água e comida, rádio e televisão. Telefone fixo e celular. Algumas possuem adegas, inclusive das climatizadas. Com a última geração de telefones móveis, o computador vem ganhado espaço, no local onde há possibilidade de ficar um bom espaço de tempo no decorrer do dia. A cozinha oferece casa, comida e roupa lavada. Com direito a alimentação e entretenimento. Ninguém está sozinho na cozinha, está em contato com vizinhos e parentes, e conectado com o mundo.

Existem cozinhas que também possuem um espaço reservado para taboa de passar roupa e máquina de costura, talvez um tear. O tanque de roupas e a máquina de lavar roupas também estão bem próximos, algumas vezes separados pela metade de uma parede, e sem porta. Algumas cozinhas podem ter até um ventilador, para as horas quando faz mais calor, com o forno aceso e com a tarefa de passar e engomar roupas. Ainda não inventaram um lugar para o ar condicionado, que entraria em atrito e conflito com o calor produzido pelo forno e o pelo fogão. Brigariam por ambientes quentes ou frios. A legislação sanitária e de engenharia não permite o banheiro junto a cozinha, caso contrário ele estaria presente.

Caso a mulher reclame de ficar muito tempo na cozinha, a estratégia é começar a retirar os equipamentos que ocupam o espaço. Deixando a cozinha para a única função que foi idealizada e construída, a preparação da comida. Não importando a responsabilidade da execução da tarefa. Homem ou mulher, parente ou amigo, morador ou empregado.



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sábado, 16 de janeiro de 2016

As patricinhas de Salt Lake City


As patricinhas de Salt Lake City

PDF 557






No estilo das patricinhas de Beverly Hills, “As patricinhas de Salt Lake City”, ou as gafeiras de Lagoa Salgada. E até as arengueiras de Candelária.

Observar o Rio Grande do Norte (RN) é fazer uma viagem no espaço e no tempo.  Um lugar repleto de culturas e influencias. A ponta do Brasil e entrada do continente, um lugar de passagem para quem chegava ou partia, com as eras de navegações aéreas ou marítimas. Tentou por algum tempo, ser a saída para o espaço, com a instalação da Barreira do Inferno, onde dizem que, quem atendia o telefone era o sargento Jesus.

Viagens e ideias permitidas pelo rádio e televisão. Conversas nas ruas e esquinas, e nas redes sociais. Estórias e histórias de livros, folhetos e revistas. Vestígios, elementos, fatos sociais, históricos e geográficos, podem ser observados entre mesclados e misturados de situações, fatos e pessoas. Um estado mais conhecido por duas letras: RN, a sigla da unidade da federação. O ponto geográfico do continente, ou do pais, como ponto de apoio marítimo ou da aviação. A localização geográfica excelente para quem vem de outro continente. Estrangeiros juram que é interessante ser um HUB, para seus próprios interesses, enquanto caiçaras que vivem do rio ou do vento, ficam acenando, para os que partem ou querem uma vaga no estacionamento.

A situação geográfica permitiu inúmeras influencias, prejudicando uma criação de uma identidade própria, criando uma identidade múltipla, com europeus e americanos. Ruas numeradas estão presentes até hoje no linguajar de Natal/RN. A herança americanizada, para descobrir onde estavam perdidos seus soldados, os de Parnamirim Feeld.

Algumas histórias já foram contatas, na tentativa de entender ou descrever o espaço. Primeiro foi a Dicotomia Natalense, observando estudantes tentarem atravessar uma avenida, onde os carros não oferecem um espaço, ou uma brecha na via, contrapondo com o espaço que as universidades localizadas do outro lado, têm ofertado aos estudantes. Depois foi a Batalha na Avenida Roberto Freire, como um espaço geográfico de batalhas atuais, quando holandeses e portugueses travam uma batalha nas conquistas de estudantes, em busca de um canudo cada vez mais desvalorizado. O conhecimento está literalmente na palma da mão.

E posteriormente foi descrito uma nova versão de um elefante, um paquiderme norte-rio-grandense com o Elephante de Shiva. Também já foi descrita a estratégia de Sant Exupéry, que ao escrever o Pequeno Príncipe inverteu o que viu. Exupéry foi um aviador, do correio aéreo postal, e entre voos e mapas percebeu a semelhança de um elefante com o mapa do RN, como também percebeu o Rio Potengi serpenteando o estado, por dentro do elefante. Inverteu o que viu, e colocou em sua história, um elefante dentro de uma cobra. Uma estratégia de tirar o chapéu, a licença literária da visão geográfica.

Mas voltando para “As patricinhas de Salt Lake City”, ou Lagoa Salgada. Duas patricinhas já haviam sido identificadas, quando foi descrita a nova batalha na antiga estrada de Ponta Negra, que agora tem título de avenida: Dany e Milka. E agora observando as redes sociais, observando diálogos, depoimentos e comportamentos, mais duas patricinhas foram identificadas: Paty e Andy.

Paty e Andy são amigas de um curso secundário, no século passado. Duas brocoiós, uma de Jucurutu e outra de Riachuelo. E entre brincadeiras e disputas, criaram um vocabulário próprio, para fazer batalhas entre as duas arengueiras, ou as duas gafeiras. Talvez seja um grupo, com comedoras de jerimum ou catadoras de aratu. Criaram um linguajar próprio, como estratégias de corrigir ou inibir comportamentos de uma ou de outra, e até mais outras. Criaram o termo gafeira, como o ato de quem comete uma gafe. E até hoje usam o termo consigo, com suas selfies e suas mugangas, estando com a moléstia, merendando um pão doce com caldo de cana, até ficarem empachadas, em alguma cigarreira.



Em 15/01/16

Roberto Cardoso “Maracajá”

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Textos relacionados:

Na tal cidade


Atualizando o Elephante de Shiva


Americanos e abecedistas na construção histórica de Natal



Recordando uma batalha na avenida Roberto freire


Natal, terra de cobras, serpentes e víboras






Roberto Cardoso “Maracajá”

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As patricinhas de Salt Lake City

PDF 557





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quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Um passeio pela Floresta de Nísia


Um passeio pela Floresta de Nísia

PDF 555



Crédito da foto: Eliete Marry



Um passeio pela Floresta de Nísia.

Entre galhos e folhas que formam uma escuridão,

Era possível ver os raios de Sol

que ultrapassavam aquele emaranhado de encontros e
histórias .....


Em 13/01/16
Roberto Cardoso “Maracajá”
Produtor de conteúdo (Branded Content)


quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Supostas pegações


Supostas pegações
 
Uma crônica por encomenda
 
 
PDF 534
 
 
 
Espaço para uma cena
a ser escolhida

 

Algo inesperado, não imaginado, pode ser uma crônica por encomenda, uma crônica que nem sequer temos noções dos fatos. Uma crônica que não participamos dos momentos e dos atos. Uma crônica de ficção, com poses supostas, em lugares escuros, assim imaginamos. Talvez até escondidos no parque, ou atrás do poste. No banco da praça, ou em algum espaço abandonado. Camisolas e pijamas com meias de seda, sobre um lençol de cetim, em um espaço com ar condicionado, e reservado. Tudo pode ser imaginado.

A tentativa de ter um texto exclusivo, que fale de seus atos e sua vida, sem ser identificada, sem ser revelada. A revelação de um local escuro. Fotografias, quando eram usados filmes, eram reveladas no escuro, E com algumas palavras, já foi denunciado o gênero da pessoa solicitante.

A confiança no que seria escrito. A descoberta de coisas, pelas palavras escritas, quem sabe talvez, tivesse a suposição de que outros não sabiam de algo oculto. Uma estratégia de reconhecer a eficácia de seus ocultos atos. Uma arma textual para provocar ciúmes. Um jogo de coisas, conversas e palavras. Um desafio ou um credito. Um convite declarado ou inebriado.

Uma crônica por encomenda, por insistência, por aderência; por meios secretos, e não vistos, por palavras in box. Inúmeras perguntas, cobraram algumas respostas. Com palavras, nomes e verbos citados, veio a irritação, uma agressão verbal e um xau. Tudo passa. Talvez seja a falta.

Uma crônica de pegação foi solicitada, com estas palavras: pego e sou pegada. Talvez deixe rastros pela estrada. Um texto sobre coisas que podem ser vistas por obscenas, para quem não participa do ato. Cenas movimentadas e em posições diversas e variadas. Com aquilo na mão e a mão naquilo, para então depois ter aquilo naquilo. Procurando vaga uma hora aqui e outra ali. Apenas suposição; segredos de liquidificador.

Não há como citar nomes ou sobrenomes, locais ou livros, frequentados ou lidos. Lugares, estados ou cidades. Citações levariam a hipóteses e talvez conclusões. Nem mesmo patologias ou estados de espírito podem ser citadas ou descritas. Disse não fazer barulhos. Os gritos sufocados, de lugares ocultos e velados, querem enxergar e ouvir as palavras. Não há como citar castelos, vinhos e cores. Sabores e dissabores; chatos e chatices.

Findado o ato, o que aconteceria? Novas ideias e outras imaginações. Novas suposições e posições. A posição social dos apenas amigos. O medo de uma taxação, de ser chamada de musa ou meiga; meigalinha. Afirmações e medos; a busca da autoafirmação. Medos, para serem analisados.

Está pronto o texto. E a promessa de uma frase final.

Qualquer fato, qualquer ato, qualquer boato, semelhante, parecido ou conhecido, terá sido uma mera coincidência.

 25/11/15

 

Texto disponível em:


 

domingo, 18 de outubro de 2015

Olhar de Burca (3ª parte)


Olhar de Burca

(3ª parte)

 PDF 510



Uma visão holográfica do espírito e da alma, na dimensão da materialidade. O corpo é o histórico de cada um. Sinais, fraturas e cicatrizes com datas marcadas em uma agenda antiga e passada. Caras e caretas de remédios doces e amargos; comidas saborosas e desejadas; degustações em festas e comidas indigestas. Retenções de líquidos e sofrimentos. O sorriso e o amargo, entre doces e salgados.
Idades de comportamentos arquétipos e estruturas esqueléticas com a fisiologia interna da vida com o sangue que vai e vem bombeado pela vida cardíaca. Como um resumo da vida, nas marcas do rosto, cravos es espinha deixaram marcas da puberdade, com vergonhas e pudores, marcas de tempos passados. Vivencias e convivências; risos e sofrimentos. Outros olhares mais profundos também são encontrados. Marcados na expressão dos olhos, a visão da alma. O espelho da alma, a íris e seus fragmentos delineados e/ou entrelaçados.
Depois de imagens que ultrapassavam os vitrais e as telas, imagens que ultrapassavam a própria imagem com avanços para ver o que acontece do lado de fora, novas visões foram avistadas. Com as próprias imagens, foi possível criar um novo texto que ultrapassava a ideia inicial do texto. Na verdade, apenas uma imagem a mesma imagem, com alguns cortes, buscando detalhes em um olhar reduzido. Um olhar que não fosse influenciado por livro. Com uma pesquisa em redes sociais, seria fácil descobrir algumas páginas que foram abertas naquele livro. E o importante não seriam as páginas que se deixaram fotografar, mas as ideias e as impressões de quem se dispôs a interpretar aquela imagem, inscrita em um olhar. O acompanhamento de um café não solitário poderia influenciar. Interpretações que poderiam ser feitas com o coração, a razão e a observação, e mais uma diversidade de opções com analises anatômicas, fisiológicas, psicológicas e comportamentais sociais, coletivas ou individuais.
O desejo de não incomodar, no estilo qualquer sabor agradaria. Um café fervido e misturado pode vir cheio de sabores, aromas e influencias. Bastaria observar os seus gostos e suas preferencias: quente ou frio, puro ou com um pouco de água, diluído; misturado com leite e outros ingredientes, tipos de açucares e tipos de adoçantes traçariam um perfil, da interlocutora sorvendo em goles o café e a audição. Copos altos com cafés gelados e enfeitados. Saberes e sabores vertidos em uma xicara.
As lembranças de outros cafés poderiam subir à tona, e ser derramado na mesa. Um café ao acaso ou o café de todos os dias; um café bem passado ou um café requentado, poderiam remeter ao passado. Cafés e tempos coados e passados. Cafés de tempos expressos e impressos no currículo da vida.
O livro a sua frente evitava as palavras, com uma boca calada. Palavras que pudessem ser bem-ditas ou mal-ditas, ou até mal interpretadas.
Era um livro de palavras adquirido em uma casa de palavras, no bel espaço por vender livros e outros argumentos, formados por letras e palavras. Uma casa que poderia escrever uma trilogia com livros recém lançados de escritores e poetas: Seiva de Palavras (Clécia Santos) e Apenas Palavras (José de Castro), mais o livro da foto que evitou o pronunciamento de palavras, o Livro de Palavra (João Andrade). Um jogo de imagens descritas por palavras.
Talvez os autores da suposta Trilogia de Palavras possam ter-se retratados em seus livros. Não em fotos, mas por poemas, versos e palavras. E minimamente estariam relatando em seus livros um capitulo de suas vidas. Teriam usado seus livros como um véu, para esconder suas verdadeiras palavras. Palavras que só eles terão as respostas das palavras retidas, ou palavras repetidas, as palavras grafadas em seus corpos e suas vidas. Seus livros e suas catarses, com uma permissão em aberto para outros refletirem em benefício do próprio olhar e facilitar seus conhecimentos e suas próprias catarses.
E ao ler em público com seus livros abertos, estariam repetindo gestos, com os seus olhares, dando novas oportunidades aos olhares de burca. Olhares calados com desvio de olhares, atentos aos que passam, fora de suas histórias, fora das páginas escritas, e fora de suas memorias.
E então surgiriam novas interpretações, folheando outras páginas, com novos personagens e novos olhares: de poetas, professores e escritores, com poesias relatadas em livros. O olhar professoral, que lê o livro e vigia a turma. A mão que afaga é a mesma que domina. O olhar que ensina é o mesmo que controla. A tríade de olhares, para os lados, para a frente e para o livro.
Um olhar sob o ponto de vista do olhar dos professores poderia inclusive fazer análises mais profundas com o argumento de Michel Foucault com Vigiar e Punir. E o argumento do direito, onde o réu ou o cidadão, tem o direito de não criar provas contra si mesmo, tendo em vista que o aluno participa de uma prova oral ou escrita, sobre a matéria ministrada ou lecionada, criando uma prova assumida e assinada sobre o seu conhecimento adquirido, sem direito a recursos em outras instancias, chegando aos tribunais superiores.
Vale o que está escrito, no estilo mais simples de um jogo de bicho.
 18/10/15
 Textos relacionados
“Olhar de Burca” disponível em:
 
“Olhar de Burca (parte 2) ” disponível em:
 
“Olhar de Burca (parte 3) ” disponível em:
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Loura do capim dourado:
Onzes de setembro:
 Em 18/10/15
Em algum lugar entre Natal/RN e Parnamirim/RN
 
por
Roberto Cardoso (Maracajá)
Reiki Master & Karuna Reiki Master
Jornalista Científico
FAPERN/UFRN/CNPq
 
Plataforma Lattes
Produção Cultural
 
 
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quarta-feira, 16 de setembro de 2015

A Bruxa de Emaús II


 
A Bruxa de Emaús II
PDF 477
 
 
 
A bruxa já conhecia Emaús; um Parna, e um Ceará pequeno. Agora a bruxa queria conhecer a ilha de Fernando de Noronha, mas sabia que era perigoso voar de vassoura para lá, tinha que atravessar o mar. E ouviu falar de um candidato a um cargo público, que quando eleito, e se fosse eleito, construiria uma ponte até lá. E de carro seria mais fácil chegar. Agora só faltava um carro comprar, e também se habilitar, com a CNH. Um breve de vassoura desde acolá ela já tinha, sem permitir a jatinhos. Ela era contra as cacofonias, achava cafona.

Tinha o hábito de cantarolar. E com tantas músicas sobre carros amarelos, estaria então decidida a cor do carrão. E então ela cantava preparando uma poção: “ ... minha Brasília amarela, está de portas abertas...”. E outras músicas: “ Agora eu fiquei doce doce.... “. E ela preparava doces, caramelos e poções que facilitassem a obtenção de uma carta de habilitação. Queria adoçar a boca do avaliador do DETRAN com doces e caramelos, pois quem sabe, ela habilitada, compraria um Camaro amarelo. Tendo como última alternativa, em ser reprovada na avaliação, uma poção.

O candidato com a promessa anunciada não foi eleito. E a ponte não foi construída por falta de conhecimentos e equipamentos técnicos; e por falta de licitação, por critérios que evitavam o superfaturamento e a corrupção. Mas a CNH foi tentada. E agora o avaliador está todo torto em cima de uma cadeira de rodas, pois não aprovou o teste de baliza e direção, não ganhou caramelos e doces, mas ganhou uma poção. Adeus estrada dos tijolos amarelos, a música do escritor e roqueiro anglicano, Thiago Gonzaga. Restou um carro amarelo empoeirado parado na garagem, e as teias de aranha enfeitavam o ambiente. Os amarelinhos da cidade, não viram o seu carro envenenado. Um carro que para vender seria preciso agora fazer uma boa revisão, era necessário levar a um posto com um bom mecânico. Precisava vender antes do amarelo ficar esbranquiçado. E Mané Beradeiro, seu vizinho, deu uma opção, fez uma sugestão.

Mane Beradeiro, era um cabra treiteiro, conhecido por contar causos na região. Andava todo arrumadinho. Dizia que a mala era de Mossoró, e o chapéu era de Caicó, com alpercatas de Acari, camisa de Natal, cinturão de Macaíba, e ceroula de Apodi. E ainda tinha uma conta bancária em Itaú. Neto de coronéis, Ezequiel e João Pessoa. Era sobrinho de tenentes, Ananias e Laurindo Cruz. Mas na verdade era um caçador de Jaçanã em Jucurutu, e suas roupas eram vindas de Brejinho, e lavadas em Lagoa Salgada. Foi candidato a prefeito em Serra Caiada, prometendo colorir a serra, tal como fez em Lages Pintadas.

E Mane Beradeiro, o contador de causo, indicou o posto do Eduardo, ali “ben pertinho”, “ben juntinho” da BR, o posto que ele parava quando ia na praia de “Pititinga”, com “un” sotaque ‘ben” fininho. Indicou o posto, para fazer uma inspeção no carro amarelo.

E lá foi a bruxa em busca do posto do Eduardo, disseram que lá tinha mecânico e lava jato.

— “Bon dia Dona”, falou o pastorador.

— “Bon dia”. Eu queria fazer uma revisão no meu carro

— Por favor, estacione logo ali.

E saiu a bruxa em busca de uma vaga para estacionar, e a bruxa de nariz empinado, queria uma vaga exclusiva, uma vaga bem destacada, para seu carro amarelo, que estava ficando fulerado.

 Entre Natal/RN e Parnamirim/RN, 16/09/15

Texto anterior disponível em:
http://mirnasemarinas.blogspot.com.br/2015/09/a-bruxa-de-emaus.html
http://www.publikador.com/sem-categoria/maracaja/2015/09/a-bruxa-de-emaus/

 

 
 
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